04 dezembro 2006

outro lado

A embarcação fazia o retorno, e estava de frente para o cara. Ele morava em Paul, e ia pegar o catraieiro no antigo aquaviário, no centro. Todos os dias isso acontecia porém poucas pessoas viam, as que passavam quase nenhuma. (Curiosamente, olhou pro chão,e lembrou de sexo). A que via era como o cara, aquele cara, com um pacote de papelão embaixo do braço e um maço surrado de Campeão na camisa. Ainda levava a arruda na orelha, apesar dos beijos de Alzira, a gorda Alzira. Ela chega no bar e não faz quase nada, além de beber todo o tempo em que se encontra por lá. O navio agora apita. Sorte sua, por ter ido acender o cigarro na marquise. Olha para o céu e vê um espelho cinza - amanhã tem chuva.( No outro dia comprovara que acertara em parte por que: o tempo naquela segunda seria uma boate em slow motion.) Viu o barco.

Jornalista&corretor&guerreiro

Jornalista, pesquisador, admirador da Ufes, da Usp, do cinema e da luz, fotográfica, ou não.