26 julho 2007

isso não importa & tal como o pai. com

Triste é pensar que o seu pai quando nasceu viu que você seria um bunda mole. Sim, ele não era e aquilo cristalizaria uma duvidosa vida a sua felicidade. Sim, já tinha uma casa, uma das primeiras construídas nessa merda de cidade, tinha um emprego - já fudido, obedcendo a abnt!, e o seu filho nascera com um q de bactéria puro. Era mole, lindo de morrer, tipo quele de olhos azuis lourinho ou então aquele neguinho perfeito, tipo Robson Caetano ou até Michael Jordan, e então o que fazer: simples, dar a ele de presentes uma série inesgotável de tênis apertados. Sim, peito de borboleta, por que você nunca seria um agricultor - morava na cidade, filho de um pobre entre os ricos - para sentir a humilhação de ter de ir pra casa numa kombi enferrujada, não saber jogar futebol - até por que o bactéria-mor só dava cacete como lateral daquele time recém fundado na capital, e para completar: filho de cachaceiro - cachaceiro será.
Seu pai era lírico, adorava carangueijo, comia todas as p. da região, e sua puta, sua mulher enlouquecida da silva nunca daria a nenhum outro, por que o cinto era grosso e aquele trabalhara demais. Assim, forjado por entre o cheiro puro de um roseiral e uma seqüencia infindável de xotas manas ele foi de punheta em punheta esculpindo aqulea que seria sua mutação amorosa: uma mugle meio da roça -pura como a terra distante de fertilizantes e loira como as filhas de americanos maçônicos. Pra balancear, uma família negra como vizinhos, com a qual batizou a matriarca de : meu filho, essa será a sua segunda mãe.

24 julho 2007

Talvez não.

Talvez estejamos vivendo um tempo de grosserias isoladas. Não tão mal isoladas como o aeroporto de congonhas, inserido que ficou em meio ao recheio de carros, pessoas e cimento. Literalmente se fudeu.
Talvez vivemos em um espaço-tempo onde devemos ser negros. Homossexuais. Adultos e crianças, artistas, e mal jornalistas. Padres, craques, pais e cegos.
Talvez devamos gostar das criancinhas que possuem bundas acentuadas e apagar os velhos das calçadas.
Não devamos nos tocar, nem nos corrigirmos. Talvez.
O certo é que o pão e o café continuem subindo, embora plantemos eles em nossas terras. E o papel da revista playboy continue subindo.
Talvez não.

17 julho 2007

Quase-anárquico

Um movimento bem interessante vem acontecendo na Grande Vitória, especificamente, e tem suscitado a opinião das pessoas, que não têm onde emití-la em um devido lugar. O pulo da roleta. É uma atitude de usuários do sistema coletivo que não pagam as passagens, de um e setenta e um e oitenta e cinco, dependendo se for municipal ou sistema transcol.
Diga-se de passagem é um sistema eficiente e com uma das passagens mais caras entre as capitais brasileiras.
Os principais horários de ocorrência são após as dez da noite. Até as quatro da manhã pessoas que frequentam bares e baladas voltam pra casa de ônibus e praticamente certo é, um acordo com o trocador. O pessoal aí pula a roleta, combinado ou não com o trocador. Quando não é assim, o responsável pelo troco acorda com o usuário para saltar pela frente com o consentimento do motorista.
A passagem cai pela metade, ou sai por um real, deixa-se o vale e recebe-se cinqüenta centavos de troco. Será que a saída seria o passe livre nesse horário?
Então a pergunta é: Será que a saída seria o passe livre nesse horário? Você concorda ou não com esse tipo de prática que envolve uma situação delicada de desobediência civil, as vezes álcool e até a polícia, quando o(a) trocador(a) solicita ao motorista que ache uma viatura na madrugada para a interferência dos policiais? Dê sua sincera opinião.

09 julho 2007

Di passagem sem título - Aí moleque maior zueira, desci jucutuquara inteira passei em frente ao desaviso, exorcizei logo a raiva, lavei a alma com o suor apesar da boca seca minha pele tá ressecada por que será será a birita será a maldita, será, só sei que estiquei o passo e ainda passei antes na tribuna para deixar um panfleto ai di qualé peguei outro desci na gurigica, antes camisinha peguei tô cheio agora dá pra pegá aquelas molecas, vai ser a maior farra só não podem chegá os vigila do patrimônio senão eles quererão comer o rabo delas e de relance até deixa quieto não quero desafeto só quero afecto.

A felicidade.

O dia de manhã bem cedo aqui perto do morro do romão é incrível, sua luz é suave e deixa passar ares de frio, em meio a rua onde cidadãos passam para irem trabalhar, estudar, comprar pão, zoar na school, maneirar no trabalho, chupar chicletes e comprar cigarros. Aqui onde moro o sol me seduz mais que o barulho, assim acordo cedo por livre vontade e passo o café logo cedo para não bailar dentro de um planet tão abençoado. Seja por Shiva, Jesus, Marabharatha, ou por Salomão, Paulo, são tantos exemplares, até Flávio Gicovate me permito.
Alguém roubou minha escopeta, tenho ainda a faca. Alguém roubou minha geladeira, tenho ainda o frezzer do supermercado, alguém roubou meu sono tenho a outra noite, só tenho o que me permito ter, costumo repetir receitas, como ler os códigos diários e evitar os inimigos invisíveis.

04 julho 2007

A volta.

Imprescindível entender como funciona o diálogo, em suas possibilidades limitadas pelos ambientes e pelas circunstâncias. A circunstância é fruto do tempo e das pessoas nas quais a possibilidade de comunicação se inscreve. Quanto ao ambiente, pode se configurar um cerceamento até voluntário, como também um infinito local de viver.
A possibilidade de comunicar-se pode-se mostrar um logro, cilada de sedução onde a mensagem, o meio, parece ser incompleto em forma e conteúdo.
Nesse momento, uma Lua cheia, um turbilhão de informações e até a tirania fundada sobre uma hierarquia absurda e qualquer, detonam outra superfície e expõem, não a noção de esquizofrenia que leio ao olhar, mas sim um masoquismo que enxergo. Sentir a dor será inevitável. Contudo, pior pelo risco do isolamento crescente, a perda da sensibilidade que denunciará a dor, é o trauma oposto, não a aversão a agressão, e sim um claro menosprezo.

os artista.

O apelo social é enorme. Invade (os) olhos. Infelizmente não é possível ver todos. Seria um suicídio. O que se quer e o que se tem para dar não coincidem e assim, sem ninguém, ninguém questionar, vão dando-se as ações. Os únicos que se movem são (os) artistas.

A contemplação a beira de uma árvore.

A formiga carrega sua folha
pesada e cortada pel lagata
irá fazer não sei o que com ela
alimentar as crianças.

(para alguns a formiga é exemplo de produtividade, para outros o avesso. Descansa trampando, é lerda demais.)

Perceba que o esforço e o alimento
são sempre dependentes
força que torna poesia
raiz folha caule semente.

Folha e flor
buquê de flores
café malhado
o sabor da vida amargo.

Bombeirinhos brincam junto aos
carrapatos e os grilos.

[prosa desafinada d'entre dois convivas: Piatã e Gus]

O limite espacial.

Espécie de ignomia, estado de isolamento mental e ainda, preocupar-se com dinheiro. Todos os sentidos, quase todos abertos, em sua potencialidade. A verdadenão consegue descolar dessa visão filosófica: um ser vendo do alto, movimento de formigas desvelando a fadiga, o desejo e a imaginação. São bizarros risos e comentários roucos o que ouço, resta o silêncio.
Fumar para não perder o sentido de superfície inerente ao bar. Duas gostosonas adentraram o recinto. Fadigadamente falo: eis um intervalo para olhá-las.
O bar é algo assim: podem estar flando de você contudo não é indício de que isso chegará a você com a mesma força de antes. Desnecessário citar nomes, o que são nomes. Forte é a expressão assassina, que executa o percurso de a até b, sabendo que antes passará por c, por d, o tempo atravessa todos.

O antigo.

As putas têm algo em comum com os margi, os gangsta. Umas e outros.
Imaginação. As calcinhas das putas tem ar de sexo.
Bucetas são algumas coisas: pentelhos e uma almofada de carne.
Cheiro de xixi empregnam as calcinhas. O cigarro é um sabor de complemento, assim como dizem os machistas sobre o sentido fálico do cigarro.
Ambos possuem clientes.
J.C.R.N.

Jornalista&corretor&guerreiro

Jornalista, pesquisador, admirador da Ufes, da Usp, do cinema e da luz, fotográfica, ou não.