28 junho 2007

enquanto
os dias passam, horas são flores manipuladas, pelo coração do lobo e
enquanto
isso: me duplifico em progressões geométricas.



sons incomodam meu sono

o vaso escoa meu sonho

e a única justificativa: eu não sou o único.

passar batido

não se deve deixar passar batido na próxima semana, o aniversário do planetário. como consta nesse alfarábio, haverão duas palestra dias vinte nove é amanhã, isso, já. a outra dia seis de julho, 19 horas.

o théatre de séraphin

baudelaire, charles - nasceu em paris no dia nove de abril de mil oitocentos e vinte e um, com dezenove anos apenas, abandonou a família e passou a levar uma vida desregrada e boêmia que o levaria a correr o mundo, a fazer uso das drogas e contrair uma doença venérea grave da qual viria a falecer no dia trinta e um de agosto de mil oitocentos e sessenta e sete, com apenas quarenta e seis anos. suas obras revolucionaram a poesia francesa e européia.

[o théâtre de séraphin era um teatro de sombras chinesas e fantoches que era localizado na galeria de valois, no palais-royal, e mais tarde, no bazar européen, boulevard montmartre.]

'o que se sente? o que se vê? coisas maravilhosas, não é? espetáculos extraordinários? é muito bonito? muito terrível? muito perigoso? - essas são as perguntas comuns que fazem, num mixto de curiosidade e temor, os ignorantes aos adeptos. parece uma curiosidade infantil para saber, como a das pessoas que nunca saíram do quintal de suas casas quando estão na frente de um homem que está voltando de países longínquos. imaginam a embriaguez do haxixe como um país prodigioso, um vasto teatro de prestidigitação e mágicas onde tudo é miraculoso e imprevisto. isto é um preconceito, estão completamente enganados.'

26 junho 2007

Ali.

O maior desafio para um conviva solitário é quebrar sua mesa, seu silêncio enraizado em seu polietileno de cor verde. Pois igual a ele existe ele, e ele, e os dois ali, conhecidos, como em uma roda de rua quando de chinelo de dedo sentindo o frio a entrar pela bermuda no fim da tarde, da noite, sob a luz do poste. Porém cada um na sua freqüência.
Omitir o silêncio frente ao vazio pode ser à alguns o mais ousado dos exercícios, é a forma de experimentar vivenciando a prática da solidão no coletivo, ali, parado, agora só silêncio, quem sabe uma música que afunda depois.
Pouco a se falar, muito em poucos segundos de repente, talvez minutos - essa é a métrica do discurso, a essência (tal conteúdo) aflorada pelo meio - discurso opaco ,às vezes. Algo 'frenético', um espasmo em meio ao vazio.
Os olhares comprometem. As falas viram promessas. Quem será capaz de ingerir uma garrafa de cevada em meio a uns dois cigarros - seus ou do conviva ao lado, pode contar, equilibrar 'espasmos de linguagem', invasões pré-condicionadas como falas que desabafam respirações extremamente controladas? Ar nauseabundo. Uma imbecilidade diria algum, chamaria de vaidade outro.
É um querer estar sem ser inoportuno como já sendo,os olhos podem saltar de suas órbitas anunciando um desejo, vários, 'hanna'. São as vontades escondidas e para tais: filtros dos sonhos dispostos ao céu do prédio para inibirem qualquer desassossego da alma, seu esvaecimento.

25 junho 2007

Shalimar, o equilibrista

O equilíbrio...
Surya, o Sol
Chandra, a Lua
Budha, Mercúrio
Mangal, Marte
Shukra, Vênus
Brihaspati, Júpiter
Shani, Saturno

e a possibilidade do contrário...
Kaam, paixão
Krodh, raiva
Madh, embriaguez
Moh, apego
Lobh, ambição
Matsaya, ciúme

M.Merleau-Ponty & punk

"Na realidade, essa pseudopositividade do meu presente é apenas uma negação mais profunda ou redobrada." (M.Merleau-Ponty)

O punk vive na arte. O punk é um estado de consciência onde o excesso de valorização do capital bizarra ao máximo.

A idéia.

A diferença entre ser e não-ser um marginal, está em colocar-se dentro ou fora da vida a margem. Certo é, que essa escolha é pra poucos (sinc). Contudo deixar o senso comum e agarrar-me a excessão parece mais interessante, e natural até. Aliás, deixar o senso comum, as pessoas em geral colocá-lo onde lhe é devido segundo a opinião delas, não é legal. Vá pra margem se quiser.
Passar pela porta, ou ficar 'marcando' um tempo', subir as escadas 'e desafiar a modéstia', colocar ou não a mão nos corrimões 'e deixar ou não o lobo mau lhe comer'.
Vestir-se assim (!) a ter movimentos ricos, peculiares a algumas ações, a ter parcimônia em portar-se arrumadamente, confortável aos olhos do outro, de um conviva, (sinc), blefar com um sapato digno de executivo.
'Saber respirar o ar nauseabundo onde vivem os criminosos'. Arthur Hailey. O tempo, exatamente ele, permite essa escolha, como uma estrada: dê a seta: D.Martins ou Guarapari (?), escolha rápido, como um começo preciso, direita, esquerda, centro nunca (!), olha a placa de divisão, 'caráca', dentro, fora, sem o intervalo.
O marginal está a margem da sociedade, olha o senso comum aqui, o margi, ele, vive no primeiro fio do LP social, e por isso pendurado, na 'beirada', na beira do abismo. Está fora, dito excluído. Se ele achar 'que nada viro o lado!' pode até ser digamos, diferente. Contudo, no fio, ele está no ponto em que se permite visualizar o lado B desse nosso vinil empueirado. Seria o perverso, o intervalo. A questão dentro fora é geográfica enquanto o intervalo é psicológico, sim.
Será o seu paradoxo, que o colocará a margem, por blefar e falar a 'verdade', se simples fosse, a margem essa extensa faixa do ócio a espera do novo posicionamento, lícito ou realizando crime para quem não tem a coragem de lavar as mãos. Sujá-las sim, antes.

22 junho 2007

O Cheiro.

Luz. O cheiro do chão cinza riscado lembra a parte da área de serviço do apartamento que morei. Falando a verdade especificamente o desinfetante de Eucalipto guardado embaixo do tanque de porcelana branco, surpreenda-se, um cheiro bom. Quando limpo, esse mesmo piso,que só existe em recintos, salas de aula, ambientes públicos, causa ruídos despercebidos e agarrões aos pisantes mais novos, como o meu, por conta do aniversário, na última terça, 33 anos. O balcão em metal inox e as duas pias da cantina chamam a atenção para uma arquitetura concretista que marca toda a região. A biblioteca, com seus três andares ao lado do r.u, todo quadrado, rebaixado e lacrado na parte de cima com grades, são exemplos da força desse encantamento.
Ameaça real. O olhar flutua como buscando um céu limpo azul, em meio as informações, quase todas em forma de gravuras, uma imensa pele de colagem. Lá existe uma sala com telefone e ar condicionado destinada a uma organização maior dos estudantes, um diretório, diretório central. Paúra é o que sinto ao mensurar descrever a vocês a infindável colagem em toda parede do bar, desde o teto até embaixo do balcão. Depois o hip hop americano que resiste a tantas tendências ousadas de romantizar a sala e seus momentos. Digo por que vejo-o presente na televisão antes das seis e em menor número na junkebox. Pode-se dizer que estamos adentrando um ambiente 'gangsta', com seus lados claros e ocultos, que a quem conhece é dada a faculdade de revelá-lo. Quase ninguém quer fazer tal curso, e tenho percebido que o olhar revela aquilo que primeiro se esconde.
Ser ou não ser: eis o quentão. Sim ao certo aquele lugar lúgrube não foi feito bar apesar da cantina, escolar, e que vende incontáveis cintras a um e noventa. tem também skol, antárctica, brahma, mas quem quer perder uma a cada duas? É quase isso.
Você está querendo sentir novos ares? E assim abrindo todos os dias as onze da matina, o mini vai ganhando contornos, e lá pelas quatro começa a encher com seus frequentadores, convivas meus, e desafetos também, todos em busca de um pouco de frio, uma espécie de sombra noturna, onde parece oferecer ao usuário o encantamento com o inferno. É ilícito, por seus contornos. São cercas, grades, caminhos marcados e concretados facilitadores de controles ostensivos e que separam o buteco da autopista. Seria como se uma porta mágica abrisse nesse instante já começou, já são quatro horas, tenho que ir até lá, sentar na cadeira e esperar os fatos ocorrerem naturalmente 'sem que sejam forjados para acontecer'. Até então as seis o que se vê é uma sede descontrolada por dentro só inibida e equilibrada pelos últimos raios de sol.
Faça amor não faça guerra. As guimbas de cigarros diversos misturadas as cinzas pelo chão, fazem meu tênis deslizar, os mosquitos existem assim como algum odor da fossa mais próxima. Pedaços de plásticos, tampas de refrigerantes engarrafados no plástico e algumas sedas engorduradas já encomodam o olhar ao chão.
Esportes radicais e montanha russa proporcionam a mesma adrenalina que as drogas. Drogas. Sim ouço barulho nas escadas. Faça barulho, comendo biscoito encaçapando as bolas da sinuca e contando suas moedas. Vem vindo alguém, são dois três talvez alguma mina e ah, são as anjas negras, elas gostam de vestirem-se de preto é o que posso relatar. Nesse momento o crime mais comum é cometido, flertar a menos de três metros, quando o corredor de acesso não mais distancia.
Quais são suas intenções, você nõa deve ter tomado banho esses dias e não gostarei de ficar muito perto, mais de ti preciso para compensar meu excesso de química, essa pá de detergentes que passo no cabelo, nas unhas, no pelo, a roupa cheirosa e já não acho o meu cheiro.
O tabaco nessa miragem a espera de um oásis entende me puxa pra superfície, não me permite afundar, ao contrário da música. São argumentos, ações, e perdas equilibradas, encher o copo, vigiar sua garrafa, tragar e manter-se paralelo ao eixo, às vezes sê-lo.

04 junho 2007

impostos e corrupção

Uma coisa é certa: se nosso país é um dos que mais tem impostos - estamos trabalhando até agora pra pagá-los por esse ano, essa foi a semana em que esse 'tumor burocrático' mais doeu em nossa pele. Só pode, pois uma série de mídias trouxeram o assunto a tona e talvez a mais importante das informações foi repassada ao público nessas últimas horas. A pesquisa tão polêmica que evidenciou a informação traz dados sob forma per capita. Isso quer dizer que alguns sonegam tais impostos por que desonestos são, outros por que pobres e miseŕaveis e outros, então esses pagarão impostos até o final de julho, esperançosos que no ano que vem valores unificados nas esferas estaduais e federais venham amenizar esse peso. E como já é de se sentir, a mais prejudicada é a velha classe média, esses que vêem nascer bolsas de todas as espécies e ficam a mingüa, chupando dedo, desde o começo dos anos.
Outro fator incomodante como um corte no dedo é a definição que temos pra corrupção. Em pleno século XXI, quando a lei mais contundente e vigente é a livre concorrência, acredito que nossa ingenuidade nos deixa confundir corrupção com lobby, é o que imagino. Pelo menos quando a Vale foi vendida para a Arcelor e depois para a Mittal, como também quando a Garoto foi vendida para a Nestlé, o Cade, o conselho que regularizou a segunda compra foi o método encontrado pelo Estado pra intervir na segunda transação. E se lembro bem n primeiro caso o que percebi é que a livre concorrência entre as gigantes do ramo da mineiração agiram de forma digamos indecorosa, com propostas que tentam anular em uma competição aquela que ameaça o líder.
Qual será o verdadeiro limite, aquele que nossa burocraca não enxerga, que difere a livre barganha do ato sem escrúpulos, aquele sem honestidade. Sim, o conceito de corrupção está ligado umbilicamente ao de Estado.

Jornalista&corretor&guerreiro

Jornalista, pesquisador, admirador da Ufes, da Usp, do cinema e da luz, fotográfica, ou não.