28 maio 2007

conveniente I - a série. capítulo de hoje: o passeio

Conveniente deixar um registro histórico, sem pretensão de sinopse ou crítica, por escrito, de projetos fílmicos e videográficos começando pelo "O Passeio" de Virgínia Jorge.
"O Passeio" começa no Centro de Vitória e termina dando a impressão que encerra-se por lá mesmo. É a história de um passeio pelo centro em um dia frio, meio nublado com direito a bigode mal feito. É uma narrativa 'em terceira pessoa', onde a câmera mostra-se ao lado, espreitadamente observando um único cidadão, em meio a multidão - importante dizer esse era o objetivo, ele meio desavisado, talvez um desempregado, com uns parcos tostões pro cigarro, cabelos molhados e jogados pra trás, comum aos homens como meu avô. Bigode e cabelo penteado pra trás, finalizado com uma navalha na nuca, precisão simples.
Então o primeiro plano é uma travessia de pista, ele passando pela Princesa Isabel, ao lado dos Correios, segue, agora sim começa: em frente aos Correios na Jerônimo Monteiro, o plano é bem belo. Confusão da calçada mais concorrida de Vitória. Uma caminhada curta até a Praça Costa Pereira, e um descanso.
Sem um troco pro pastel&caldo de cana um bode na praça. De manhã cedo.
Depois, o fim, a finalização de uma patética saída de casa, sem nada pra fazer, sem disposição ou sem empregos na cidade, época de desconfianças quanto ao futuro. Isso, Vitória em preto&branco, sob o olhar de uma panasonic com seus seis quilos.

Jornalista&corretor&guerreiro

Jornalista, pesquisador, admirador da Ufes, da Usp, do cinema e da luz, fotográfica, ou não.