[O Fantasma de uma Linguagem Pura]
" Eis que há muito tempo fala-se sobre a terra e os três quartos do que se diz passam despercebidos. Uma rosa, chove, o tempo está bonito, o homem é mortal. Aí estão para nós os casos puros da expressão. parece-nos que atinge o auge quando assinala sem equívocos acontecimentos, estados de coisas, idéias ou relações, por que, aí, não deixa mais nada a desejar, não contém nada que não mostre, nos faz deslizar ao objeto que designa. O diálogo, o relato, o jogo de palavras, a confidência, a promessa, a prece, a eloqüencia, a literatura, enfim, essa linguagem à segunda potênciaonde só se fala de coisase idéias para atingir alguém, onde as palavras respondem às palavras, e que se carrega em si mesma, se constrói acima da natureza, um reino sussurrante e febril, nós a tratamos como simples variedades de formas canônicas que enunciam algumas coisa."
" ...que o sinal permaneça simples abreviação de um pensamentoque poderia a qualquer momento se explicar e se justificar por inteiro."
" não se pode imitar a voz de alguém sem retomar algo de sua fisionomia e enfim de seu estado pessoal."
(retirado do livro 'O Homem e a Comunicação - A Prosa do Mundo')
26 fevereiro 2007
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- Jornalista, pesquisador, admirador da Ufes, da Usp, do cinema e da luz, fotográfica, ou não.