Uma coisa é certa: se nosso país é um dos que mais tem impostos - estamos trabalhando até agora pra pagá-los por esse ano, essa foi a semana em que esse 'tumor burocrático' mais doeu em nossa pele. Só pode, pois uma série de mídias trouxeram o assunto a tona e talvez a mais importante das informações foi repassada ao público nessas últimas horas. A pesquisa tão polêmica que evidenciou a informação traz dados sob forma per capita. Isso quer dizer que alguns sonegam tais impostos por que desonestos são, outros por que pobres e miseŕaveis e outros, então esses pagarão impostos até o final de julho, esperançosos que no ano que vem valores unificados nas esferas estaduais e federais venham amenizar esse peso. E como já é de se sentir, a mais prejudicada é a velha classe média, esses que vêem nascer bolsas de todas as espécies e ficam a mingüa, chupando dedo, desde o começo dos anos.
Outro fator incomodante como um corte no dedo é a definição que temos pra corrupção. Em pleno século XXI, quando a lei mais contundente e vigente é a livre concorrência, acredito que nossa ingenuidade nos deixa confundir corrupção com lobby, é o que imagino. Pelo menos quando a Vale foi vendida para a Arcelor e depois para a Mittal, como também quando a Garoto foi vendida para a Nestlé, o Cade, o conselho que regularizou a segunda compra foi o método encontrado pelo Estado pra intervir na segunda transação. E se lembro bem n primeiro caso o que percebi é que a livre concorrência entre as gigantes do ramo da mineiração agiram de forma digamos indecorosa, com propostas que tentam anular em uma competição aquela que ameaça o líder.
Qual será o verdadeiro limite, aquele que nossa burocraca não enxerga, que difere a livre barganha do ato sem escrúpulos, aquele sem honestidade. Sim, o conceito de corrupção está ligado umbilicamente ao de Estado.
04 junho 2007
Jornalista&corretor&guerreiro
- gustavofeu
- Jornalista, pesquisador, admirador da Ufes, da Usp, do cinema e da luz, fotográfica, ou não.